segunda-feira, 19 de abril de 2010

UM SINAL

Estou sempre a começar, recomeçar, rascunhar e apagar esta treta. Bom mas agora lá vamos, mesmo cheios de partículas vulcânicas no ar – ninguém me tira da cabeça que isto é obra e graça do Alexanderplatz (coisa fina, moderna). As historietas estão aqui: o je vai lançá-las à bruta.


Teresinha está sentada em frente do televisor, enrola-se num cobertor, bebe uma cerveja morna. Há pessoas a morrer à sua frente, atrás de si. Dário está calmo, sentado ao lado, quase vivo, quase morto, um cigarro entre os dedos amarelos.

- Tens frio?
- Eu não – diz a Teresinha enquanto se esfrega na manta às bolinhas amarelas. Prenda de casamento.
Calam-se os dois, cada um para o seu lado do sofá, da vida.
- Foda-se, sou estúpido ou quê? Se tás enrolada nessa merda, por alguma razão é!
- Não me chateies Dário.
Dário tosse durante algum tempo, acende outro Camelo, aproxima-se dela, belisca-a.
- Desculpa lá. Sou memo bruto às vezes . Quê que queres…tá-me no sangue – afaga-lhe os cabelos pretos, brinca com o nariz dela – é por causa daquela merda da porto editora…pode ser que não te despeçam.
- Sim, pode ser…que não, o Papa vem cá e tudo.
- Tás a ver, é um sinal essa merda. É UM SINAL. Até os sonic vem cá…é um sinal.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Se calhar não.

Eu queria acabar com esta merda.  A sério. Queria mesmo, categoricamente, assim pumba já está. Mas a minha mãe pediu-me: mãe é Mãe - acha que tenho queda para a coisa. Ora então vamos lá recomeçar, com historietas porreirinhas, com garra, vida: parvoíce com fartura, coisa fina. Uma cena moderna, modernaça. Prá frentex... Vamos ver.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Acabou

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A saga... sugestão

Nick Hornby e o último livro da  sua coluna na Believer. Um autor precisa de pão; dinheiro portanto. E só por acaso, vale a pena ler, mesmo muito a pena.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Um começo

Mais uma tarde de Outono, daquelas em que o vento bate na janela socando-a com todas as forças de uma tempestade de Novembro, os carros na chuva lá fora, chuva e carros de dimensões magnificas. E eu por dentro com escritório como jardim cinzento, encharcado de água e cheiros a terras de um qualquer parque Inglês. Eu sentado à secretária, uma garrafa de água na mão, a olhar para os livros – por eles −, para janela, para o que se conseguia ver além dela, tudo sem tremer, sem me mexer da cadeira giratória. Os livros, por mais que tentasse não os ouvir, desafiavam-me a produzir mais um elemento para a biblioteca, e quem sabe para a dos outros. Em surdina murmuravam: “Só mais um livro João, é hoje que podes recomeçar a reprodução em papel”, e eu nada, a olhar para os gatos a dormir com as caudas arrumadas. Estava habitado de um pânico crescente, uma dor profundamente incomensurável como sempre que me encontrava frente a frente com a folha em branco. Acreditava e ainda acredito que esta situação é de uma de injustiça atroz, uma violência que corrói as vísceras do escrevinhador, uma batalha sangrenta onde caem no campo de batalha soldados desconhecidos, párias de vidas, homens e mulheres incógnitos com sangue nas mãos. Estava ou era − é sempre a mesma coisa − perdido comigo, um dos “Exploradores do Abismo”, de Vila-Matas, um escritor frustrado, vencido pelo medo e salvo às vezes pela parafernália de medicamentos que engolia sem medo para dentro do meu, desde sempre, pequeno estômago.
“As tardes são enormes coisas sem nada lá dentro”. Afaguei o cabelo com uma mão que ansiava por um cigarro há dez minutos. Levantei-me e comecei a procurar, em todos os bolsos do meu casaco já velho, o tabaco; encontrei-o e iniciei o ritual costumeiro da demanda do lume. O isqueiro em cima da mesa da cozinha, um exemplar que roçava o foleiro, acendi o vício e mais uma vez iniciei o sonho.
Olhei o tempo com um medo terrível de me esquecer de algum pormenor da minha vida de menino grande. A chuva fazia o seu trabalho, o vento ajudava, as janelas tremiam, “ João vem jantar”, e eu agarrado a elas com medo que as coitadas se transformassem em vidros. “ João anda comer” e eu sem fome, agarrado ao cigarro e à água com gás, a tentar mais uma vez equilibrar a ideia, a janela, e a água. O cigarro parado no cinzeiro, a canibalizar-se de dentro para fora “ já vou, só um minuto”, gritava eu a tentar esquecer-me da comida.
O vento acalmou, um silêncio nasceu, o vento, que é desde menino pequeno um grande amigo, adormeceu ao jantar.
Fumava e olhava para os livros; recordei sem querer as idas e vindas da escola pelo passeio do meu longínquo País do Sul. Todos os dias o mesmo passeio habitado de Sueste, o vento que o minava por dentro, que me ajudava a carregar e agarrar com muitos e saudáveis dentes o pirolito que sabia a mel: − o meu prémio pessoal por me ter “portado bem na escola”.
Recordei-me de alguns amigos da escola, de muitos não amigos, de nunca jogar no campo de futebol, só entre as oliveiras que faziam de baliza. O pacote de leite como bola, no intervalo de meia hora, às dez da manhã.
Nunca fui um grande jogador de futebol, nem um grande desportista, e assim eram as oliveiras goleadas pelos meus pequenos chutos.
A Teresa a gritar, os gatos acordam e esticam as pernas “ Estou a ir”, agarro-me à mesa e levanto-me com vontade de escrever. Fui para a sala, não trocamos palavras, sentei-me à sua frente, começamos a comer os escalopes. “Queres batatas fritas?”, e eu com os olhos de cão doente, disse que não, ou dei-o a entender, para desgosto e irritação da Teresa. “Não andas a comer nada, estás cada vez mais magro…”, não respondi, olhei para a carne com vontade de fugir. “ Ando sem fome, não sei o que é que se passa. Sei que não ando a ser uma grande companhia, e… Desculpa lá”, a mãos dela atravessaram a mesa, acariciaram-me a face ossuda, repetidamente sussurrou que tudo iria passar. Vieram os cafés, olhámos um para o outro sem pressa. Descansámos um no outro, pelo outro, o olhar. Beijámo-nos com bocas Sical, demoradamente, sem correrias. Fomos deitar.







terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Livros que gostaram de mim em 2009




É politicamente correcto, ou ordinariamente usual; costumeiro; pouco interessante, mas como em Roma ser romano, lá vou eu nos meus favoritos do transacto 2009:

Samuel beckett, The Letters of Samuel Beckett 1929-1940
Edited: Martha Dow Fehsenfeld; Lois More Overbeck
Cambridge

Tony Judt, O Século XX Esquecido - Lugares e Memórias
Edições 70
( trad. Marcelo Felix)

Juan Carlos Onetti, Os Adeuses
Relógio D´ Água
( trad. Hélia Correia)

W. G. Sebald, O Caminhante Solitário
Teorema
( trad. Telma Costa)

Robert Walser, Os Irmãos Tanner
Relógio D´ Água
( trad. Isabel Castro Silva)

Thomas Mann, A Montanha Mágica
D. Quixote
( trad. Gilda Lopes Encarnação)

Esther Leslie, Walter Benjamin
Fio da Palavra
( trad. Rui Mesquita)

Jack Kerouac, Tristessa
Relógio D´ Água
( trad. Paulo Faria)

Herberto Helder, Ofício Cantante
Assírio & Alvim

João de Melo, A Divina Miséria
D. Quixote

Juan José Millás, O Mundo
Planeta
(Luísa Diogo e Carlos Torres)

Thomas Bernhard, Os Meus Prémios
Quetzal
( trad. José A. Palma Caetano)

Robert Musil, O Homem sem Qualidades III
D. Quixote
( trad. João Barrento )

Lars Saabye Christensen, O Modelo
Cavalo de Ferro
( trad. Mário Semião)

Julio Cortázar, A Volta ao Dia em 80 Mundos
Cavalo de Ferro
( trad. Alberto Simões)

John Fante, Pergunta ao Pó
Ahab
( trad. Rui Pires Cabral )

Dag Solstag, Pudor e Dignidade
Ahab
( trad. Liliete Martins)

Arto Paasilinna, A Lebre de Vatanen
Relógio D´ Água






segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Blogue não lido

Como prémio do blogue menos lido, dedico eu autor, algumas musiquitas, a mim.