Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Chá em Praga

Baralho-me ao baralhar as leituras. Vivo num voco ensurdecedor, arranco livros das estantes para cima de mim. Estou submerso em folhas com autores díspares entre si. Muitos deles odeiam-se por si, outros só se odeiam entre si; sem precisarem de ajuda. Outros tantos, desconfiam das suas cabeças, e de quem as habita. Eu tento apenas respirar.
Queria tanto parar, fixar o momento como naquela fotografia. Qual? Aquela que aparecemos os dois perto da ponte S. Carlos, sim em Praga. Éramos tão novos, e tão sem medo do futuro, o que quer que isso fosse. Lembras-te que saímos da ponte e fomos beber um chá na cidade velha?
Lembras-te de fixarmos os momentos com doces eslavos nos lábios? Nessa altura eu era um sem medo, uma boa companhia.

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